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sonhos olvidados

19.08.07

quisera poder lembrar detalhes desses que se me passaram, mas os olvidei. dariam boas histórias – sem sentido, claro, mas boas – como os já transcritos. lembro superficialmente de dois, apenas:

O Rei da África
eu estava em uma aldeia que falava um português perfeito, tanto que cheguei a questionar isso no sonho. comi alguma coisa atípica por lá e tiveram que me levar pro hospital, aos desmaios e semimoribundo, onde me foi retirado um dos rins. essa operação me tornou um mártir naquele povoado. muita gente vinha me visitar, faziam festas pro rei-sem-rim e, em meio às pessoas que lá estavam, reconheci a Tiuly e o Kinsey – formando um casal -, colegas do Maick, que souberam do acontecido e foram me prestigiar. não lembro do final, se é que teve.

Bicho-navalha de Crédito
nest’outro, o meu cartão de crédito havia se transformado num bicho-navalha, que deve existir lá na Amazônia. é tipo um peixe fininho que existe, mas é verde (ao contrário do peixe), não tem cauda nem barbatanas (ao contrário do peixe), tem um olho ao lado do outro (ao contrário do peixe) e, na verdade, não se parece com o peixe esse. pois bem.. era o meu cartão, só que mais “vivo”, tinha uma pele de sapo, com dois olhos, uma boca com uns dentes muito afiados e uma espécie de navalha que estava tentando me fatiar (tudo isso em um dos lados do cartão, porque no outro era as costas, né..).
será alguma mensagem do meu subconsciente anti-consumista?

malfeitor da caixa da Nestlé

4.08.07

meu quarto é delimitado por uma faixa amarela, que forma um retângulo de mais ou menos 12m² na calçada, em frente a uma loja de sofás da João Pessoa. eu não sou um mendigo, porque no quarto tem até a minha cama de casal.
quando cheguei pra dormir vi que ao lado da cama estavam, de pé, duas caixas da Nestlé, pouco maiores que eu. deitei, me tapei e dormi.
durante a madrugada eu acordei, sabe-se lá por que, e vi que uma das caixas estava se movendo muito, mas muito lentamente. a caixa da esquerda, especificamente, quando vistas de frente. fiquei espiando, fiz que estava dormindo, e vi que atrás da caixa tinha um cara. na verdade, atrás de cada uma delas tinha um cara. o da esquerda, que se mexia, e o da direita, que estava dormindo.
quando vi o FDP, saltei da cama; ele me viu e saiu caminhando (mais rápido do que uma caminhada normal) e cruzou a linha fronteiriça entre o “meu quarto” e o resto da calçada. pra não ter perigo de o outro acordar, aproveitei que ele estava deitado e dei um chute na cabeça dele, fazendo-o desmaiar. assim eu teria tempo pra correr atrás do fujão e chamar a polícia.
o fujão da caixa da esquerda já estava meio longe quando eu o avistei e saí correndo atrás dele. ia deixar ele desmaiado, como eu fiz com o outro, e procuraria a polícia, oras: onde já se viu invadirem o meu quarto, assim?
corríamos em câmera-lenta entre os transeuntes da João Pessoa, cruzávamos a rua e voltávamos ao mesmo ponto. ele, enquanto fugia, arremessava seu molho de chaves (com um daqueles chaveiros feitos com plásticos de tampinhas de refrigerante) nas placas de “proibido estacionar” tentando fazer com que ficasse enrolado no ferro. nas primeiras três placas ele não conseguiu. só na quarta que sim.
conseguindo deixar a chave enrolada no ferro da placa de proibido estacionar, ele veio na minha direção. eu não consegui fugir. ele pegou uma baita pedra que tinha no chão e atirou na minha cabeça. eu só tive tempo de virar pra trás, evitando que pegasse na minha cara, e acordar, atônito, sem saber se eu tinha colocado o relógio pra despertar em Ré ou Lá Menor.

o guri da farinha na gaiola

29.07.07

acordei com aquele maldito barulho do caminhãozinho que vende verduras, detergentes, legumes ou desinfetantes. o que ele anunciava naquele megafone com som de rádio a pilhas eu não entendi.
levantei da cama sem lavar o rosto nem nada e fui lá pra frente ver o que estava acontecendo.
pela grade pude ver que não era um caminhão normal, e sim um daqueles ônibus escolares antigos que tem lá na terra dos yankees. não sei por que eu pensei que esse tal ônibus/caminhão estivesse subindo a rua quando me despertou. na verdade estava descendo.
vi quatro crianças. cada uma com seus doze anos, mais ou menos. ambos guris. o primeiro dirigia o ônibus que descia a rua. o segundo e o terceiro corriam do lado da porta onde o quarto estava pendurado, quase caindo, com uma jaquetinha amarela. não conseguiu se segurar, caiu no asfalto, saiu rolando e ficou pra trás. os outros três acho que não viram, ou se fizeram pra não ajudar, ou sabiam por intuição que o quarto não tinha se machucado.
só depois eu vi, ainda do mesmo lugar, que ele estava bem, porque se levantou e saiu correndo atrás do ônibus junto com o terceiro e o segundo.
quando chegaram na frente do bar, o primeiro parou o ônibus e desceu. a função toda, pelo que eu entendi, era que ele tinha que carregar uns sacos de 25Kg de farinha pra dentro de uma gaiola que ficava dentro do bar, esse. uma gaiola grande, tipo uma jaula, mas, se comparada a uma jaula: pequena. como era muito pesado pra uma criança de 12 anos ele saiu correndo e se trancou lá dentro, enquanto o segundo e o terceiro pegavam punhados de farinha e arremessavam na cara dele, que mastigava tudo e cuspia no chão da gaiola. logo chegou o quarto, esbaforido, e ajudou o segundo e o terceiro na tarefa de arremessar farinha na boca do primeiro.
o ônibus ficou parado ali no meio da rua. eu troquei de sonho.